Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




A Páscoa na Miranda decorreu da forma tradicional. Este ano foi a vez da "meia de baixo" iniciar a visita pascal, assim, no Domingo às 6horas deu-se a alvorada com o fogo e às 8horas foi celebrada a missa, "saindo a cruz", no final, ao som do toque do sino e foguetes a estalar no ar acompanhados do som da campainha que anuncia que já lá vem o Compasso. Momento único de maior impacto pela mistura de sons e o aguardar do povo no terreiro do Mosteiro para se juntar ao Compasso e ir de casa em casa desejar as Boas Festas ao familiares e amigos. Como é tradição, o lugar do Mosteiro é sempre o primeiro a receber a cruz de Cristo Ressuscitado e só depois se segue para a "meia" que pertence no Domingo. Por excepção e, por palavras do pároco João Lima, "se dever quebrar rotinas" a residência paroquial "abriu a porta" em dia de Pascoela. Desde a Vaqueira ao Padrão, concretamente ao Eido Fundo, naquele dia contaram-se 38 residências que receberam a Cruz e Compasso Pascal. Na Segunda-feira, após a missa, foi dia da chamada "meia de cima beijar a cruz". O compasso voltou a ter a adesão do dia anterior e de casa em casa se ia ouvindo "há que dar a volta para dar lugar a outros". De facto, na Miranda a Páscoa e visita pascal vivem-se com grande intensidade no respeitar e no convívio entre amigos das diversas faixas etárias. É de referir o respeito pelas famílias que mesmo com os seus lutos "não fecham a porta ao Senhor". A Páscoa é um misto, é um todo. É a alegria das boas festas e do convívio entre um doce, um cálice de vinho do porto ou (nos tempos modernos) um rissól, mas também o silêncio e o apoio sentido nestas casas em que o sentimento da páscoa é alheio a toda esta euforia e animação.

A tradição já não é o que era. Esta frase é muitas vezes ouvida em relação a muitas actividades, principalmente, religiosas. Contudo, a tradição da Páscoa vai mantendo algumas características. Na "semana do Ramos  à Páscoa" a azáfama já não será o que foi em tempos idos, mas continua a ser notória em relação a outros dias do ano. Utilizando palavras do nosso conterrâneo Manuel Dantas numa sua referência à Páscoa na sua juventude*, é uma "semana agitada com trabalho de limpeza nas nossas casas (...)varriam-se os acessos mais directos", preparam-se as doçuras e outras iguarias que embelezam a mesa (e aconchegam os estômagos) no "dia de Cruz". Ainda se veem em algumas casas pétalas de flores à entrada. Esta característica já é muito pouco vísivel, mas há ainda quem a mantenha.

O Compasso, este ano, foi sempre composto pelos mesmos elementos - Pe João, David Costa, Ália Araújo, Mariana Áraújo e Sofia Silva. Noutros tempos seria o Mordomo, ou um homem adulto, e três meninos, com o passar do tempo as circunstâncias mudam e por muitos lados já se veem jovens (rapazes ou raparigas) a fazerem parte do Compasso.

No Domingo de Pascoela, a missa decorreu pelas 11horas após visita à residência paroquial, seguindo-se o clamor para a Igreja, dando-se assim o fim às cerimónias tradicionais da Páscoa - Visita Pascal.

Inédito foi o que aconteceu este ano, pois tivemos dois aniversariantes em dias de Páscoa. No Domingo cantou-se os parabéns a um dos elementos do Compasso, a Ália Araújo, e na Segunda-feira cantou-se novamente os parabéns, mas desta vez não foi a um elemento do Compasso, mas sim a um residente, o Paulo Cunha.


 

 *Este texto pode ser lido na página "Miranda - terra de sonhos e tradições", no facebook.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)





Último comentário

  • Anónimo

    VivaEste servico esta muito irregular....mas e a e...


Notícia mais comentada